30.11.07
13.11.07
Saskia, e de Sorrow
Posted by Anónimo at 10:26 da manhã 0 comments
9.11.07
chijimi I

“ A minha vida debruçara-se longamente na alegria breve dos dias e eles roubaram-me a ternura. Hoje, a saudade aquieta-se nas sombras e já não sei se é saudade ou letargia. Ouço uma vertiginosa canção e penso que é o mar, a maré dançando na orla dos rochedos. Dizem que o mar devolve tudo o que leva, mas paira nos meus olhos o desespero de naufrágos. O teu rosto, Sorrow, o teu rosto está sempre entre os navios que partem.”
E no entanto, todo o amor da mulher da Terra de Neve se desvaneceria com ela, não deixando neste mundo um sinal tão seguro como um tecido de chijimi…assim pensava Shimamura, meditando distraidamente na inconstância das intimidades entre os humanos, a sua efémera duração, que nem mesmo conhecia o tempo de existência de um bocado de tecido…
Então é isso, paga-se sempre um preço. Por acreditarmos. A dualidade dos afectos, a efemeridade dos afectos. Assustava-a descobrir essa consciência. Dentro do quarto, no espaço tépido da melancolia…
yasunari kawabata, Terras de Neve (excertos a itálico)
foto de akif hakan celebi
Posted by musalia at 7:12 da tarde 0 comments
19.6.07
chijimi
…a voz de Shimamura como um sopro de vento respira na vidraça. Saskia percorre o embaciado ainda tépido, desenha linhas e pensa sonhos. A paisagem olha-a de fora, esse olhar frio assegura mais forte a fuga a prende-la ao centro do quarto, às imagens cantadas pelos dedos. Afasta-se da janela, o presente a esbater-se contra as paredes, debruça-se sobre a folha. O poema respira entre a maciez da pele e o aroma de amêndoa…
gravura de Ando Hiroshige, yui (série as estações de Tokaido)
Posted by musalia at 12:45 da manhã 1 comments
14.5.07
teus olhos impacientes e irrealizáveis...
Posted by musalia at 11:08 da tarde 2 comments
26.3.07
Erase all the memories
Saskia partira sabendo Sorrow desabitando a visão da charneca sangrenta. Caminhava para norte – o voo de aves azulíneas dissera-lhe da cidade branca onde começavam os grandes frios, onde espadas feitas neve apaziguavam a mancha vermelha das casas – nos olhos guardara as margens amanhecidas de flores lilases colhidas em tempo longo, flores raras nas mãos de Sorrow. Foi tempo de morrer, dissera-lhe o último companheiro de Sorrow e Saskia partira, na memória sons incendiados do tropel de cavalos rasgando o horizonte.
Pousado o livro na desabrigada recordação dessa tarde, Saskia lia. Mas Saskia não lia, os signos fechavam-se aos seus olhos, os dedos teciam vozes soltas sobre as páginas brancas E a neve tomando conta de tudo...
Posted by musalia at 7:52 da tarde 5 comments
8.3.07
in my dream you're playing with buckets of sand*

a memória enleava-se na pele de Saskia, cadência maligna embalando a memória. pensava na cidade emudecida ao bravor da peleja, Beja calando as palavras, as vozes, nem um rumor desatara a seda húmida dos lenços apertados nos punhos. e a voz que nada dissera em estremecimento na boca de Saskia queimando-lhe a boca: o que faço eu aqui se todas estas noites cresce-me aos olhos a mágoa de Sorrow pela morte do seu Lidador se trago pelo corpo a sua ausência o que faço eu aqui se cubro o rosto e as mãos não estendem o esquecimento - pensamentos na noite adormecida por sobre a neve, Saskia percorrendo as páginas do livro de Ale Laisuma e por dentro os cadernos de Sorrow gritando fios de sangue e nem havia uma melodia de estrelas secando lágrimas ou movendo o silêncio feito pedra, da noite nessa noite.
* Guillemots, if the world ends
Posted by musalia at 6:45 da tarde 1 comments
2.3.07
zoran musik
venice

Posted by musalia at 12:33 da manhã 1 comments
27.2.07
butterflies & hurricanes
Posted by Anónimo at 10:27 da tarde 0 comments
25.2.07
veneza - san giorgio maggiore
william turner
em voz doce dizia-lhe do fascínio da laguna as cores na direcção do olhar ou da solidão dos invernos, não sabia bem. escrevia 'todo o meu sentir é esta luz'. escrevia, pausadamente, sorriso escondido nas pálpebras. Saskia sabia. Sorrow chegaria ao amanhecer à hora em que se morre no tempo perfeito. Saskia sabia, a essa hora ela já teria partido.
Posted by musalia at 12:42 da tarde 1 comments
17.2.07
les amants

Saskia e Sorrow, vida fora nesse litoral resíduo da canção, do lado onde os corpos se dançam, se dizem de um nome, se oferecem. E a canção, sempre a canção, como se nada mais os soubesse. Nem mesmo o mundo, o inteiro mundo que ambos aprendiam desde esse primeiro dia em que nos olhos de um os do outro.
Posted by musalia at 9:27 da tarde 0 comments
14.2.07
a dança II
Posted by musalia at 4:27 da tarde 3 comments
13.2.07
a dança
foto de katia chausheva
Posted by musalia at 12:19 da manhã 1 comments